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Elementos
Introdutórios da Iniciação
Por Gary L. Stewart
Imperator da CR+C
A
iniciação é o aspecto e a causa essencial
da elevação da consciência às sublimes
realidades objetivas dos estados superiores — àquele
estado transcendente de percepção onde o Ser Verdadeiro
funciona de acordo com o grau de seu despertamento e em um plano
de existência que permite o serviço sem restrições.
Ela opera em um dos diversos planos, cada um com sua própria
realidade objetiva, sua própria criação,
que pode ou não ter paralelo com aquelas realidades objetivas
do mundo com o qual estamos acostumados. Nosso ponto individual
de trabalho depende somente do grau de nosso despertamento e
do nível particular de realidade objetiva no qual fomos
iniciados.
Até certo ponto, a natureza de nossas
iniciações é escolhida por nós mesmos,
embora, talvez, não somente como resultado de uma escolha
intelectual. É nossa sinceridade interior, nossa atitude
e nossa pureza de motivo que determinam em que nível
funcionamos. É fácil perceber que nosso intelecto
não pode tomar essas decisões por si só.
Mais exatamente, ele serve meramente para nos auxiliar a nos
harmonizarmos com o Deus Interior de onde se origina nosso desabrochar
para atingirmos um ponto de verdadeira iniciação
de verdadeira escolha.
A Confraternidade da Rosa+Cruz é uma
ordem iniciática e ritualística em que o Caminho
que escolhemos utiliza a técnica esotérica iniciática
tradicional que se desenvolveu a partir do sistema arcano que
foi compreendido no alvorecer da consciência. O sistema
Tradicional flui de uma corrente sem começo ou fim. Essa
corrente não foi criada; está sempre presente.
Nosso processo de iniciação retira o iniciado
de sua realidade objetiva individual e abre um portal para o
estudante através do qual cada iniciado deve voluntariamente
passar por seu próprio desejo. A manifestação
exotérica da iniciação não conferirá
a esse iniciado nada além de uma escolha. E tal escolha
deve ser feita pelo iniciado a partir do coração.
Uma vez que a escolha é feita e o iniciado verdadeiramente
começa a fluir com a corrente disponível, a iniciação
cumpriu seu propósito. Suas ferramentas não são
mais necessárias e o iniciado deve então se preparar
para a próxima iniciação, em sintonia com
a corrente escolhida.
O propósito deste artigo não
é o de discutir nossos símbolos ou rituais, ou
aquilo que eles devem transmitir. Mais exatamente, este artigo
é uma introdução aos elementos da iniciação
na qual as ferramentas do ritual físico tradicional e
o mundo psíquico podem ser utilizados para despertar
nosso verdadeiro propósito de espiritualidade.
Quando dizemos que a CR+C é uma ordem
iniciática e ritualística, estamos dizendo que
através de nossa metodologia reconhecemos o Caminho sempre
presente que é estruturado em um sistema hierárquico.
Não me refiro a uma hierarquia exotérica de oficiais
que lideram a Ordem e guiam seu propósito, mas sim a
uma hierarquia esotérica que transcende a personalidade.
Se um membro da Ordem ou um de seus oficiais é ou não
parte dessa hierarquia é irrelevante. Na verdade, todo
o conceito da idéia popular de mestres ou personalidades
iluminadas nada mais faz que depreciar o trabalho que eles idealizam.
Por quê? Porque tais mestres nada mais são que
a criação e personificação da compreensão
limitada das pessoas que os criam.
Na assim chamada “Nova Era”, que
é referência para nossos tempos da mesma forma
que períodos anteriores foram conhecidos como “A
Reforma” e a “Era do Iluminismo”, encontramos
muitos que alegam ser canais exclusivos das personalidades de
mestres que, pela primeira vez na história da humanidade,
estão se revelando a nós com o propósito
de salvação. Como isso difere das hostes de santos
medievais trazidas a nós pela igreja? Ou dos deuses dos
gregos e de outros povos? Como pode a humanidade hoje ser tão
arrogante a ponto de pensar que, pela primeira vez na história,
seremos salvos pela interação pessoal de mestres,
deuses ou santos?
Não estamos em uma “Nova Era”, da mesma forma
que nunca realmente estivemos em qualquer outra “era”.
Estamos simplesmente em uma era que sempre esteve presente.
Como em séculos passados, as pessoas estão agora
se voltando com interesse renovado para ideais mais elevados,
mas a maioria delas não está colocando sua fé
em uma personificação para guiá-las para
a iluminação.
Eis uma cilada que só a iniciação
pode ajudar a evitar. É verdade que hoje muitas pessoas
estão sinceramente canalizando mestres. Mas esses mestres
não são da hierarquia esotérica. O que
está sendo canalizado nada mais é que as crenças
criadas personificadas pela consciência coletiva daqueles
que acreditam. Aqueles que são proficientes em viajar
nos reinos astral ou psíquico comprovarão o fato
de que podem se encontrar face a face com o deus Apolo ou com
o Mestre Kuthumi. Mas só um iniciado pode verdadeiramente
diferenciar entre aquilo que é real e aquilo que é
uma manifestação criada. Uma manifestação
criada possui vida, possui personalidade, mas não possui
nenhuma substância espiritual. E tocar a verdadeira hierarquia
esotérica requer o reconhecimento dessa substância
e a ascensão àquele nível de manifestação.
O plano astral não é tão
diferente do plano físico, exceto que a matéria
como a compreendemos não está presente. Conseqüentemente,
nossa percepção dentro do mundo astral vê
uma condição de natureza mais etérea, que
é muito mais fácil de criar em forma visível.
Muito daquilo que é de natureza positiva, quando visto
nesse reino astral, são pessoas materializadas de uma
maneira que não pode ser feita no plano físico.
Devemos também lutar com traços negativos de medo
e ódio que também se manifestam nesse reino. Juntos,
eles formam um mundo paralelo que ainda contém engano
e ilusão. Muitas pessoas acreditam que ao terem uma experiência
nesse reino conseguiram atingir o que buscavam por encontrarem
suas crenças lá personificadas.
Mas se essas pessoas tivessem verdadeiramente
experimentado uma iniciação, elas primeiramente
ficariam muito desapontadas ao descobrir que aquilo que freqüentemente
achavam ter atingido nada mais era que uma parte delas mesmas.
Mesmo assim, se foram sinceras, a verdadeira beleza da iniciação
desabrocharia e seu desapontamento daria lugar a um estado exaltado
de compreensão ao saber que um véu foi removido
e que a verdadeira hierarquia esotérica dos mestres está
um pouco melhor compreendida.
O problema hoje em nosso mundo, no que diz
respeito a assuntos esotéricos, é que a iniciação
não está presente como um sistema real na advocacia
da “Nova Era”. Somente a iniciação
pode nos levar além das limitações e dos
enganos físicos e psíquicos. Ao mesmo tempo, devemos
nos conscientizar de que uma iniciação não
é física ou psíquica, embora métodos
físicos ou psíquicos sejam utilizados. Uma iniciação
verdadeira é puramente espiritual. Ela ocorre a partir
do interior de cada indivíduo como resultado de seu próprio
preparo e presteza, sendo inspirada e acelerada por um ritual
físico que às vezes se associa a uma experiência
psíquica. Vejam as alegações de diferentes
organizações e indivíduos. Quantos utilizam
o processo iniciático? Não concordamos que, quando
nossos olhos estão abertos, a maioria das alegações
de espiritualidade são crenças pessoais formadas
a partir do intelecto? Mesmo aquelas poucas organizações
que declaram utilizar a técnica iniciática criam
suas iniciações para adequá-las às
suas idéias preconcebidas.
É imperativo que nos divorciemos dessas
armadilhas. Caso contrário, seremos culpados de auxiliar
as forças destrutivas à natureza. Existem hoje
apenas algumas poucas estirpes de ordens iniciáticas
prontamente disponíveis a todos os estudantes sinceros.
Somente o verdadeiro iniciado pode encontrar qualquer uma delas.
Mesmo assim, elas estão abertas somente a um número
limitado. Há também outras escolas que servem
à verdadeira hierarquia esotérica, mas sua técnica
difere um pouco da linhagem iniciática; mesmo assim,
somente um iniciado as compreenderá e elas também
são muito poucas e reclusas.
Por que este estado de coisas existe? Duas
Guerras Mundiais, tecnologia materialista, nacionalismo e intolerância
religiosa têm todos sido fatores que contribuem para isso.
Mesmo a partir dos “iluminados da Nova Era” encontramos
uma atitude predominante, relativa à iniciação,
que está enterrada na filosofia da Nova Era. Essa atitude
pode ser melhor parafraseada nas palavras de um “místico”
moderno ao promover determinada escola dizendo que, de acordo
com os mestres, a era das ordens iniciáticas está
ultrapassada, que sua técnica não mais se aplica
ao mundo de hoje e que deve ser substituída por uma nova
ordem e uma nova técnica que correspondem e vão
ao encontro do estado já elevado de consciência
atingido pela humanidade.
Tal declaração é o cúmulo
da arrogância e revela a ignorância acerca da corrente
iniciática. Fazer tal alegação em nome
da hierarquia esotérica é, entre outras coisas,
um absurdo. Os iniciados que partiram antes de nós, que
transcenderam os planos conhecidos e que nos guiam através
de seus ideais nunca poderiam fazer tais alegações,
porque foi a técnica iniciática que os levou até
onde hoje estão. Nicholas Roerich disse uma vez que era
possível que um iniciado evoluísse além
da escola de pensamento que pela primeira vez o introduziu aos
mistérios. De fato, espera-se que isso venha a acontecer.
Mas ele também declarou que o iniciado sempre se lembraria
com carinho e reverência daquilo que o guiou no Caminho.
O que é, então, essa técnica
iniciática que é nosso dever proteger? E o que
ela ensina? Em um estágio elementar, a iniciação
é simplesmente um começo, como assim subentende
a derivação da palavra latina “initium”.
A iniciação é o início de um novo
estado ou condição abrindo-se para um novo caminho.
Há três classes tradicionais de iniciação
que consideraremos: (1) comum, (2) rara e (3) prejudicial.
O profano é considerado um prisioneiro
cego das trevas que vagueia pelos diversos reinos do engano,
ilusão e erro. Se o profano for sincero, por fim encontrará
uma iniciação que realmente o coloca em uma nova
condição livre das mentiras e preconceitos. Em
uma palavra, essa pessoa se torna iluminada e é reconhecida
como um iniciado, tornando-se, por meio disso, mais forte e
mais poderoso. Um novo caminho é aberto ao iniciado e
a Verdade Cósmica é revelada através do
simbolismo, uma chave a ser utilizada para desvelar os mistérios
ocultos ao mundo profano.
A conseqüência da iniciação
é ao mesmo tempo uma possibilidade e um dever de utilizar
a luz recém adquirida em nome da humanidade — uma
possibilidade no sentido que o iniciado pode se recusar a cruzar
o portal; e um dever, no sentido que, se o cruzar, o iniciado
deve se tornar um foco de radiação da luz. O iniciado
deve se livrar de todo egoísmo e interesses egocêntricos.
Se esses grilhões forem quebrados, a emissão de
luz é ao mesmo tempo amor, energia e poder.
A natureza desse poder é uma transmissão
do iniciador para o iniciado por indução mental,
o que cria uma nova condição mental ou percepção.
O iniciador pode ser outra pessoa ou pode ser simplesmente a
Natureza, mas o ato da iniciação cria um equilíbrio
dentro do iniciado reconhecido como harmonia. Uma vez atingida
a harmonia, o poder torna-se percebido e, por meio disso torna-se
permanente. Aquilo que é feito não pode ser desfeito.
O iniciado percebe que não pode nunca mais voltar para
o mundo profano. Mas ao mesmo tempo, não há garantia
de que o iniciado permanecerá no Caminho. É por
isso que é extremamente importante que a ligação
com o iniciador original seja mantida e que todas as viagens
futuras sejam feitas de forma progressiva. Negar o iniciador
original é negar o Trabalho. Desta forma, lembramo-nos
das palavras de Roerich, como mencionado previamente.
A ligação ou a linhagem do iniciador
ao iniciado é uma transmissão de poder através
de uma cadeia ininterrupta de iniciados que são, essencialmente,
veículos humanos da Luz. Geralmente, um ritual especial
acompanha tal transmissão e seu propósito é
o de desencadear uma corrente de assistência celestial
causando a harmonização com forças espirituais
que ajudam o iniciado a destruir, pelo fogo, suas qualidades
profanas. Um verdadeiro ritual de iniciação em
muito ultrapassa uma simples dramatização. Uma
dramatização somente tocará as emoções
e o intelecto. O ritual tocará a essência espiritual
e trará à existência a assistência
espiritual através de um despertamento.
Quando um verdadeiro ritual de iniciação
ocorre, ele é acompanhado pela responsabilidade do iniciado
em manter a transmissão do poder espiritual através
da obrigação de irradiá-lo a partir do
interior de seu ser. Há também a obrigação
de cada iniciado de se certificar que a Luz seja perpetuada
e transmitida às gerações sucessivas, assegurando
assim a continuidade da técnica. No entanto, ainda é
possível ao iniciado afastar-se da linhagem e utilizar
o poder para fins egoístas. Se isso for feito neste estágio,
não estamos lidando com um indivíduo que é
simplesmente ignorante acerca da Luz, mas com alguém
que conscientemente serve às Forças das Trevas.
O verdadeiro propósito desse tipo de
iniciação é servir à humanidade
para garantir que a Luz seja irradiada em meio às trevas.
Podemos ver, de fato, que as obrigações e responsabilidades
do iniciado são grandes e também percebemos que
a importância de uma linhagem iniciática continuada
e ininterrupta é de suma importância para que o
poder da Luz cresça e transcenda as limitações
do iniciado individual.
O indivíduo pode dar as costas à
Luz, mas a cadeia iniciática e a linhagem centenária
de iniciados criam uma condição que supera o indivíduo,
pois não pode ser destruída pelos fracassos de
uma pessoa, seja ela quem for. Nenhuma pessoa isolada ou grupo
pequeno de pessoas têm a força para desfazer o
que foi feito. Isso se torna uma força e um poder da
Luz que não pode ser desviado. Eis por que é tão
absurdo ouvir a alegação que as ordens iniciáticas
estão obsoletas e eis por que é tolice pensar
que uma criação completamente moderna da “Nova
Era” pode substituir um sistema que tem funcionado e prestado
um grande serviço por incontáveis séculos.
O sistema da CR+C é o tipo de cadeia
iniciática que acabamos de discutir. O sistema só
pode ser obstruído caso a maioria dos iniciados se torne
negligente quanto às suas obrigações e
responsabilidades. Mesmo assim, bastaria somente um iniciado
verdadeiro para reviver o Trabalho.
A segunda forma de iniciação
é extremamente rara, e é talvez a fonte de todas
as ordens iniciáticas, em que o recipiente da iniciação
a recebe diretamente através de uma osmose espiritual,
e não através de um iniciador humano. Indivíduos
tais como Pitágoras, Raymond Lully e Louis Claude de
Saint Martin são exemplos disso. A validade de suas iniciações
pode ser provada através de certos sinais que representam
certos segredos Cósmicos que são revelados por
tais indivíduos através de suas obras ou das ordens
que eles deram origem. A iniciação rara será
coberta em maiores detalhes num artigo separado.
O terceiro tipo de iniciação
que consideraremos é a iniciação prejudicial
ou iniciação negativa. Há dois tipos delas:
aquelas criadas pelas influências destrutivas de um ser
humano que utiliza a técnica iniciática para atingir
fins egoístas e, segundo, aquelas iniciações
produzidas pelas ações da ignorância e do
engano, às quais comumente nos referimos como Forças
das Trevas. O iniciado das Forças das Trevas é
aquele que se harmoniza com as criações astrais
da cobiça e do ódio e desse modo nunca adentra
os planos espirituais. São, na verdade, ilusões,
mas ao mesmo tempo uma força que deve ser levada em consideração
em nosso nível de manifestação.
A Luz Espiritual não conhece as trevas,
mas para receber a Luz precisamos transcender as trevas e atingir
o nível da Luz. Devemos, através da iniciação,
deixar as trevas para trás através de nossos próprios
esforços. Não podemos levar as trevas conosco
ao nos aproximarmos da Luz. A Luz não virá a nós
se permitirmos que as trevas estejam presentes. Eis por que
os mestres não canalizam através de médiuns
em nosso plano de existência.
Texto publicado sob autorização
do autor.
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