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A Rosa - Símbolo De Psicologia Espiritual?
Jean-Pierre Clainchard Coordenador da Seção de Psicologia
da Universidade Rose + Croix Internacional, URCI
Durante muitas décadas no curso
deste vigésimo século, pode-se dizer que de modo geral psicologia e
espiritualidade foram vistas como antinómicas. Jung, porém, colocou
em evidência a importância da dimensão espiritual como fator de
evolução do ser humano, que é um ser em devenir, com real capacidade
de transformação. Mas reconheçamos que na França Jung foi pouco
compreendido, e que a maior parte dos ensina mentos da psicologia
nas universidades francesas perma nece fortemente marcada pelo
pensamento materialista, o que aliás, vai inteiramente contra o
fenômeno da retomada de interesse pela espiritualidade; fenômeno com
que encontramos faz vinte a trinta anos e que deceria cumprir seu
papel de pôr a questão em dência em muitos campos.
Falar de psicologia espiritual é
ter em conta,de modo global, a dimensão espiritual do ser no quadro
dq abordagem psicológica. Portanto, não se trata apenas de se
interessar pela primeira infância, a infância, psico-afetiva ou a
esfera profissional indivíduo, mas também de se ter em conta a era
espiritual ou o despertar espiritual, com as qualidades psíquicas
relacionadas, como por exemplo a intuição, e com toda a simbologia
que expressa, através dos sonhos, do corpo físico (simbologia
corporal), do corpo psíquico (psico-energético), certos eventos
interiores e certas enfermidades significativas. É também ter em
contar os elementos da sombra em nós, isto é, os elementos negativos
de nosso Eu, os elementos que representam um problema e que devem
ser reconhecidos e canalizados, para serem depois transmutados - é o
caso da agressividade ou da passividade que devem ser reconhecidos
como tal conscientemente, posto que devem ser transmutados ao longo
dos anos em uma energia positiva disponível para outra coisa. E é
também integrar os fenômenos que fogem ao ordínário e que levantam
questionamentos, como as experiências PES, as visões místicas, a
sincronicidade, a memória de vidas anteriores, etc. - Tudo isto faz
parte da alquimia interior.
Como disse o Dr. Jacques Vigne,
“o que diferencia a psicologia espiritual é a experimentação
pessoal: as observações são feitas mergulhando-se na própria psique,
coisas que os sábios vêm praticando há milhares de graças à
meditação e as outras técnicas de expansão da consciência. Para
eles, cada ser humano é seu próprio laboratório para explorar seus
próprios estados interiores. Isto não é uma questão ou de fé
questão, de experiência...”
Para nós ocidentais, hão se trata
de rejeitar, digamos assim, a psicologia clássica, convencional, que
desenvolveu bastante o aspecto analítico, mas de inscrevê-la numa
perspectiva espiritual que desenvolva o aspecto mais intuitivo e
metafórico. Em outras palavras, trata-se de conciliar em nós o
analítico e o intuitivo.
Freud, em sua obra, trabalhou
bastante na estruturação do Ego, insistindo no papel da primeira
infância, etc. Jung, por outro lado, aprofundou suas pesquisas na
evolução do Ego rumo ao Eu. Em alquimia mental e em psicologia
espiritual, sabemos que é essencial que haja um Ego bem estruturado
de onde a importância da infância e da adolescência e sabemos também
que a partir desse Ego bem estruturado pode se dar uma evolução de
boa qualidade rumo ao Eu.
Os místicos aspiram à realização
desse Eu, e a psicologia espiritual se interessa muito
particularmente por esse campo. O Eu é o que há de mais elevado em
nós e representa na verdade a Imago Dei que todo ser humano possui
em seu íntimo, o reino de Deus dentro de nós, Como constatou o
psiquiatra Adler, do ponto de vista psicológico o Eu pode ser
considerado como a experiência de Deus em nós, de certo modo o Deus
do nosso coração. Ele constitui o que podemos chamar de a mais alta
intensidade de vida.
E é através da ampliação
progressiva do campo da consciência que nosso Ego pode tender ao Eu
cósmico, sendo a experiência última a reintegração da alma no Uno. E
é essa ampliação que os rosacruzes realizam, aprendendo a
desenvolver em si mesmos a consciência cósmica.
Abordaremos neste artigo três
pontos simbólicos concernentes à rosa, de um ponto de vista
psico-espiritual.
I A Rosa Como Símbolo do
Desejo Espiritual de Realização do Eu
A jornada interior pode ser
simbolizada pelo desabrochar da rosa na cruz. A rosa é considerada
como um dos símbolos desse processo de mudança, dessa transmutação
alquímica, mas outros símbolos, como o diamante, a flor de Iótus, a
criança interior, a esfera dourada, a luz branca, são também
exemplos de símbolos do Eu. Podemos encontrá los nos sonhos
espirituais nos grandes mitos da humanidade, em alguns contos
infantis tradicionais, como também nos manuscritos alquímicos ou
ainda, por exemplo, nas cartas do Tarô iniciático.
Alertamos, porém, que não é
suficiente sonhar com símbolos maravilhosos para que se seja um
Realizado: os símbolos do Eu, as situações arquetípicas, devem ser
considerados sobretudo como um encorajamento e uma expressão do
desejo de ir mais longe; não é o fim do processo, mas na verdade um
novo começo para uma nova volta da espiral.
Do mesmo modo, podemos dizer que
uma experiência de despertar, como uma visão mística, não é O
Despertar. E simplesmente uma experiência de despertar, um
encorajamento para a senda ou uma arrancada na evolução. A rosa em
seu desabrochar, com suas diferentes pétalas, pode então traduzir
esse desejo, mostrando que novas tarefas devem ser empreendidas.
II - A Rosa Como Símbolo
do "Saber Dar" e do "Saber Receber"
A rosa pode ser apreendida como
um magnífico símbolo de harmonização entre o "saber dar" e o "saber
receber". Um bom número de escritores já insistiu nessa necessidade
de equilibrar em nós o saber dar e o saber receber, e entre esses
podemos citar Jung, Maslow, Stanislas Grof, Annick de Souzenelle,
entre outros. Esse equilíbrio resulta de um movimento harmonioso de
uma aliança entre esses dois componentes, movimento que constitui
uma dinâmica entre o exterior e o interior de nós mesmos. Em nossa
vida cotidiana, não façamos a partilha do "saber dar" e do "saber
receber". Por exemplo, não há uma hora de "saber dar" seguida de uma
hora de "saber receber",
Nossa psique é constituída, de
uma energia masculina e uma feminina. A energia masculina representa
nossa capacidade de ação no mundo físico: pensar, falar, mover-se,
etc. Para o homem, como para a mulher, é a energia masculina que
permite o agir: é a emissividade, a função emíssiva, e o “saber dar"
participa deste processo de emissividade.
A energia feminina representa
nossa porção mais intuitiva, essa porção interior que pode se abrir
à inteligência suprema do universo. Para o homem, como para a
mulher, é a receptividade, a função receptiva, e o "saber receber"
participa deste processo de receptividade.
De um modo esquemático, podemos
dizer que o processo criativo traduz-se assim: o aspecto feminino
recebe a energia criadora universal e o aspecto masculino a exprime
no mundo pela ação; isto é parte da nossa alquimia mental e
espiritual.
Se tomarmos o símbolo da rosa,
poderemos nos dar conta de que este símbolo possui um núcleo central
de onde emanam as pétalas. Ania Teillard psicóloga, observou que
tudo se passa como se neste símbolo da rosa houvesse, ao mesmo
tempo, uma reunião em torno do ponto central e uma irradiação
estelar emanando do centro:
- Por um lado, as energias vindas
do exterior, que passam pelas diferentes pétalas e que são reunidas
no centro da rosa, representam de certo modo nosso "saber receber" -
do exterior para o interior, o fenômeno da interiorização.
- Por outro lado, as energias que
partem do interior, do centro da rosa, e se difundem através das
pétalas irradiando-se para o exterior, representam de certo modo
nosso "saber dar" - do interior para o exterior, o fenômeno da
exteriorização.
Tudo isso representa
simultaneamente a concentração interior e a união com o mundo
exterior. A mesma coisa participa também do processo de evolução
individual e coletivo. Temos necessidade de ambos: do "saber
receber" e do "saber dar". Talvez seja útil recordar em que
consistem esses dois conceitos.
1 - O "Saber
Receber"
Nem todo mundo sabe receber ou
estar em receptivídade. Sylvie Galland e Jacques Salomé,
psicoterapeutas, dizem que "reagimos como doentes do receber e, numa
relação de longa ou de curta duração, muitas são as situações em que
temos receio de receber "
Receber presentes, palavras
agradáveis, elogios, sinais de amor - pode parecer incrível, mas há
muitas pessoas que não suportam essas atenções. Os autores citados
acima colocaram a seguinte questão: a visão que temos de nós mesmos
é tão severa, tão exigente, que não podemos aceitar o reconhecimento
daquilo é?
Mas receber é também receber as
evidências, as opiniões diferentes, as proposições novas e até
perturbadoras. A maioria dos seres humanos funciona com uma atitude
defensiva; muitos dizem não pegar para si aquilo que lhes parece
desconhecido; poucos estão realmente abertos às diferenças, o que
explica bem os problemas das nossas sociedades contemporâneas que se
caracterizam às vezes pela intensidade de sua intolerância. A falta
de tolerância é um modo ancestral, um fechamento, um bloqueio da
energia do receber.
2 - O "Saber
Dar"
Assim como podemos estar doentes
do "saber receber", do mesmo modo podemos, estar doentes do 'saber
dar". Assim como a rosa pode receber a luz e o calor do sol sem
reservas, do mesmo modo esta rosa pode dar seu perfume, sua
irradiação, desinteressadamente e sem ficar privada do quer que
seja.
Há prazer no saber dar, mas esse
prazer não é algo calculado nem uma troca de bons procedimentos, e
menos ainda uma estratégia. O saber dar não põe em relevo o
sofrimento e o sacrifício, ele revela uma forma de amor. Na vida
cotidiana, é freqüente se ouvir frases como: `E dizer que
sacrifiquei dez anos de minha vida a tal causa, a tal ideal, a tal
pessoa..." Aí não está a dádiva, o amor, mas o dever, e na
psicologia moderna conhecemos bem os limites do dever. O dever nada
tem a ver com o amor. Ora, é importante ter em mente que tanto no
"saber dar" como no "saber receber" o prazer desempenha seu papel.
Prazer de dar como prazer de receber, e vice-versa...
E isso pode ser feito muito
naturalmente, como no exemplo da rosa que recebe calor e luz, e dá
seu perfume e irradiação. O equilíbrio no cotidiano achase talvez
nessa proporção, nessa adaptação com flexibilidade do "saber dar" e
do "saber receber" que se faz simultaneamente.
O que dissemos da rosa, podemos
aplicar ao símbolo da Rosa-Cruz. A cruz é qualquer parte da nossa
vida cotidiana, isto é, um conjunto de experiências a serem vividas,
com o braço vertical simbolizando a espiritual idade, o horizontal
simbolizando a materia lidade, e o ponto de encontro onde floresce a
rosa, o desabrochar do ser. Podemos agora retomar os conceitos do
"saber receber" e do "saber dar", pois material e espiritualmente
recebemos do exterior elementos, informações, energias que vêm
circular ao longo dos braços da cruz para se concentrarern no núcleo
essencial que é a rosa; e inversamente, da rosa emana todo tipo de
irradiações que vão se difundir ao longo dos, braços da cruz,
ressoando em nossa vida espiritual e material.
Não nos esqueçamos também que o
que é válido para o funcionamento do indivíduo é igualmente válido
para o funcionamento de um conjunto de indivíduos, podendo esse
conjunto ser um grupo, uma nação e, por que não, todo o planeta. Se
nosso planeta não vai atualmente muito bem, talvez seja por ele ter
perdido o senso da proporção.
III - A Rosa Como Símbolo
da Abertura do Coração
O que vamos abordar agora está
completamente ligado ao que foi dito anteriormente: trata-se do que
chamamos a abertura do coração, elemento essencial num caminho
iniciático.
Na Rosa-Cruz, a rosa está no
centro da cruz, isto é, no ponto do coração do Cristo. Angelus
Silesius, místico do século XVII, autor de uma obra intitulada O
Peregrino Querubínico, fez da rosa a imagem da alma, como também do
Cristo.
Mantenhamos, então, essa imagem
da rosa, símbolo, entre outros, da abertura do coração... e mais
particularmente da explicação simbólica da imagem do iniciado
carregando um botão de rosa, que não deseja outra coisa além do
desabrochar, como se o iniciado, em sua jornada interior, tivesse
feito assomar em si o essencial. Esse essencial passa em verdade
pela via do coração e a regeneração do Ser interior. O coração pode
ser considerado como símbolo central dessa via, pois indica quanto,é
importante para o homem saber amar a todos os níveis de seu ser,
sendo o Amor Cósmico o nível mais elevado. Saber amar abre muitas
portas, e num dos livros secretos dos gnósticos do Egito havia esta
expressão significativa: Vós, os Filhos do Conhecimento do
Coração.
O centro cardíaco é um dos 7
centros psíquicos maiores. Lembremo-nos que, conforme recomendam os
ensinamentos rosacruzes, é preferível não se polarizar
excessivamente nesse ou naquele centro psíquico, pois é mais natural
que o despertar, ou mais precisamente o redespertar, desses centros
se faça de modo harmonioso, na exata medida em que se realiza a
evolução espiritual. Do mesmo modo, as qualidades psíquicas,
correspondentes aos centros psíquicos, despertam progressivamente.
Os 7 centros psíquicos têm todos sua importância e seu
desenvolvimento deve ser harmonioso, a fim de que a circulação
energética possa ser feita normalmente de baixo para cima e de cima
para baixo.
O centro cardíaco ocupa,
entretanto, um lugar interessante no plano dos 7 centros psíquicos.
De cima para baixo ele é o 42, de baixo para cima é também o 4º
Alguns falam dele como sendo o primeiro centro altruísta. Sua
localização mediana, à meia-distância entre a parte de baixo e a de
cima, confere-lhe um papel especial, pois a abertura do coração,
como se costuma dizer, favorece o desenvolvimento dos outros 3
centros superiores e tem uma ação aquietadora e harmonizadora sobre
os outros 3 centros inferiores são esses 3 centros inferiores que
estão talvez exacerbados em nossa sociedade de hiperconsumismo e de
hiperaglomeração emocional e especular.
É possível que a abertura do
coração desenvolva o desejo espiritual de se ter uma relação mais
íntima com a alma. É possível que ela permita ao homem compreender
melhor a natureza do amor.
Podemos acrescentar também que
quanto mais adentramos na luz cósmica, mais somos iluminados no
interior de nosso ser, e mais desejamos ajudar os outros e
compartilhar com eles essas bases de compreensão, de conhecimento e
de revelação mistica que integramos em nós. De fato, quanto mais
essa comunhão cósmica se dá, mais podemos amar e ajudar naturalmente
e sem esforço da vontade pessoal, pois ajudar com esforço da vontade
pessoal denuncia algo do conceito de poder.
Auxiliamos os outros na qualidade
de transmissores, como canal psíquico e espiritual. A abertura do
coração, isto é, essa rosa que aos poucos se abre simbolicamente em
nós, nos ensina a bondade interior. Esse desenvolvimento, pelo fato
de estar carregado de amor, vai muito além do mero desenvolvimento
intelectual. Ele tende a uma evolução mais profunda do ser, que
proporciona uma expansão do campo da consciência e às vezes uma
hiperconsciência - uma hiperconsciência transitória mas, ainda
assim, uma hiperconsciência - como também um desejo espiritual de
comunhão interior, e é esta comunhão interior que permite que se
tome consciência do sentimento de universalidade e de unidade.
Não é então de se admirar que, a
despeito de todo seu conhecimento, alguns cientistas passem longe da
sua verdade: eles trabalham tão somente com a cabeça.
Ora, reconhecemos essa
simplicidade do coração, esse calor interior, na tradição mística
ocidental. A rosa e a cruz, através de seus diversos sentidos
simbólicos, nos propõem manter, tão intactas quanto possível, essas
qualidades da via do coração, mesmo no decorrer de experiências
difíceis e talvez até mais ainda durante elas. Os rosacruzes sabem
muito bem que vivenciar isto é parte do campo da iniciação. As
experiências a serem vivenciadas podem ser individuais ou coletivas,
mas todas devem ser consideradas significativas, ou seja, plenas de
sentido.
E o conjunto das experiências,
por um lado cotidianas, com seu quinhão de alegrias e sofrimentos
para cada um, e por outro lado místicas e espirituais, pode conduzir
afinal à experiência fundamental da luz interior, e com isto a
aceitação plena e inteira do Plano Divino.
Há um adágio que diz: Ao te
engajares num caminho, pergunta-te se esse caminho tem um coração.
Não se trata, claro, do coração fisico e nem do coração afetivo e
emocional, mas do coração enquanto centro de integração de certas
faculdades espirituais, esse coração centro do ser.
No limiar da Era de Aquário,
sentimos, na psicologia espiritual, que o homem deve se reconciliar
com seu coração. A inteligência sem coração, a ciência sem
consciencia, nos levaram à situação planetária atual, com nossas
sociedades a um só tempo muito analíticas e muito emocionais na
superfície mas muito frias na profundidade. A abertura do coração
pode dar um sentido e uma outra visão às descobertas da inteligência
navida cotidiana, e o coração purificado, no sentido alquímico da
expressão, torna-se capaz de ver aquilo que é em sua essência.
E como disse o poeta, numa visão
muito idealista: Que é um coração puro senão aquele olho capaz de
contemplar todas as coisas sem projeção, sem transferência com
aquela qualidade da inocência que faz com que o mundo nele se
reflita como sobre água límpida...
Paralelamente a esta visão
poética, podemos recordar a explicação de Mircéa Eliade sobre o
simbolismo, que ele considera como um dado imediato da consciência
total, quer dizer, do homem que se descobre como tal, do homem que
toma consciência de sua posição no universo; essas descobertas
primordiais são tais que o próprio simbolismo determina
simultaneamente a atividade do subconsciente e as mais nobres
expressões da senda espiritual.
Um Triângulo
Vimos assim 3 pontos simbólicos
concernentes à rosa numa abordagem psico-espiritual; portanto, um
triângulo com:
1ª ponta: a rosa como símbolo do
desejo espiritual de realização do Eu,
2ª ponta: a rosa como símbolo do
saber dar e do saber receber,
3ª ponta: a rosa como símbolo da
abertura do coração.
Três pontos simbólicos que favorecem o sentimento de unidade.
Três em Um - sentimento de unidade que pode ser traduzido também
pela rosa no centro da cruz.
- Sentimento de unidade no Eu,
com a harmonização dos diferentes componentes do nosso ser.
- Sentimento de unidade com os
que vivem o mesmo ideal místico, e quanto a isto conhecemos o papel
desempenhado pela Egrégora.
- Sentimento de unidade com os
que estão na busca espiritual, de uma maneira geral.
- Sentimento de unidade com o conjunto da humanidade, com a qual
somos solidários no nível das alegrias e das tristezas.
E um dia, sentimento de unidade
com o infinito...
A unidade através do Amor e do
Conhecimento auxilia no estabelecimento de novos valores.
É a tudo isso que nos convida o
símbolo da rosa que irradia no sentido espiritual do termo, mas
também no sentido psicológico, com as mudanças de valores e de
comportamento que ela acarreta no mundo do pensamento; e, claro, no
sentido cotidiano, com as aplicações práticas,' concretas,
pragmáticas, na vida de todo dia. Portanto, uma irradiação nos três
planos - espiritual, psicológico e cotidiano.
Conclusão
Pode-se dizer que a senda
espiritual e também a psicologia profunda a que nos referimos, isto
é, a que leva em consideração a dimensão espiritual, introduzem o
conceito de jornada interior. Cada um tem em si uma parcela da
imensidão cósmica, da infinitude, e da busca da harmonia possível
com o Cósmico. A jornada interior consiste nos encontros consigo
mesmo, no casamento alquímico interior, na unificação, efetuando um
circuito completo que, como Ulisses, nos conduz ao nosso ponto de
partida, mas com uma consciência muito maior e com as múltiplas
experiências que terão balizado nossasvidas sucessivas como etapas
necessárias.
A senda iniciática é uma imensa
jornada de Amor, tal como a empreenderam todos os alquimistas, e
somos todos, como diz a Ordem, alquimistas espirituais. E um imenso
poema de Amor pela vida, nessa busca pelo Absoluto, uma jornada
através dos planos de consciência, das estrelas também - por que
não? - através do cotidiano que se torna nosso verdadeiro
laboratório, para descobrir passo a passo a realidade crística do
Amor e da Luz. Algo semelhante ao que disse Jacob Boehme quando
afirmou que somos de natureza terrestre e que no âmago dessa
natureza terrestre havemos de descobrir nossa existência
celeste.
Sócrates e depois Platão, cada
qual em sua época, ansiaram por estimular os homens a fim de revelar
neles os traços de conhecimentos acumulados ao lori,go da jornada da
alma, de modo que esses conhecimentos pudessem servir como fonte
interior da verdade. A tradição iniciática, como fizeram Sócrates,
Platão e muitos outros, apoia-se no fato de que as fontes de
sabedoria, de amor e de conhecimento se ocultam nas profundezas do
ser, e que são elas que se desenvolvem da maneira mais
significativa, desde que lhes seja permitido expressarem-se
totalmente. No mundo da psicologia contemporânea, numerosos são os
que, aos poucos, admitem essa realidade, e cujas tentativas de
modelos psicológicos e psicoterapêuticos de visão espiritual buscam,
responder às nossas necessidades modernas.
Edouard Schuré, em 1889, autor do
livro Os Grandes Iniciados, escreveu o seguinte no capítulo sobre
Pitágoras: "Será esta, segundo nós, a tarefa de fazer com que se
venha a render às faculdades transcendentes da alma humana sua
dignidade e sua função social, reorganizando-as com o auxílio sobre
bases universais, abertas a todas as a ciência regenerada, de olhos
alcançará essas esferas onde a filosofia vagueia de olhos vendados e
tateando. Sim, a ciência se tornará clarividente e redentora, na
medida em que nela crescerão a consciência e o amor a
humanidade".
A ciência com consciência e não
mais a ciência sem consciência.
Então, a rosa, cuja importância
histórica não requer maiores provas, permanece um autêntico símbolo
da maior consciêncía de ser e do ensinamentos espiritual.
E o que melhor se pode desejar
para a humanidade do século XXI do que esperar vê-ia ampliar do que
vê-la de consciência e sua capacidade de amor?
Uma última imagem simbólica para
encerrar: nos manuscritos alquímicos dos séculos passados, a foi
muitas vezes denominada Flor dos Sábios, seus casamentos místicos a
rosa vermelha era atribuída ao Rei e a rosa branca à Rainha.
Retenhamos em nossos pensamentos esta imagem da rosa como dos Sábios
e como símbolo da abertura da consciência.
A consciência é uma questão de
qualidade e nao, s de quantidade de técnica conhecida, e a Flor do
Sábios se reconhece, claro, por sua qualidade...
Texto Publicado na Revista O RosaCruz – 2º TRI/95
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